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25 anos depois do 11 de Setembro: como a fé heroica inspirou a conversão e a esperança em Cristo

Imagine tentar descer mais de 70 andares de um arranha-céu em chamas enquanto carrega o peso de uma mulher que mal conhece. Para Paul Carris, essa foi a realidade que ele enfrentou na manhã de 11 de setembro de 2001.

Carris trabalhava para a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey e seu escritório ficava no 71º andar da Torre Norte do World Trade Center. Naquela manhã, antes de ir para o trabalho, ele havia assistido à missa das 8h numa pequena capela perto do Battery Park.

Pouco depois, ele estava sentado à sua mesa com vista para Manhattan quando ouviu o rugido de um motor a jato. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, houve um impacto enorme. Chamas e destroços começaram a cair do lado de fora de sua janela.

“O prédio inclinou-se, e inclinou-se tanto que livros caíram da minha estante, e por uma fração de segundo, pensei que ele ia continuar caindo”, disse Paul numa entrevista recente. Enquanto as pessoas corriam para as escadas, ele notou uma mulher em apuros. Seu nome era Judith Toppin. Ela sofria de sarcoidose e tinha um desfibrilador no peito. Ela estava com muita dificuldade física.

Naquele instante, Paul tomou uma decisão numa fração de segundo que definiria o resto de suas vidas. Apoiando-a de um lado, enquanto ela se agarrava ao corrimão do outro, ele começou a longa e lenta descida com ela — 70 andares, um degrau de cada vez.

Judith se movia lentamente e Paul sabia que ainda tinham um longo caminho a percorrer. Mas, o que impressiona é a calma que, segundo eles, as pessoas na escadaria mantiveram.

‘O Senhor é o meu pastor’

Em 2001, havia relativamente poucos celulares e nenhuma rede social.

As pessoas que assistiam à cobertura jornalística dos ataques pela televisão na Austrália sabiam mais sobre o que estava acontecendo do que aquelas que estavam dentro das torres.

Paul e Judith não sabiam que um avião de passageiros havia atingido o prédio deliberadamente. Eles não sabiam que outro avião havia atingido a Torre Sul. E não faziam ideia de que o prédio em que estavam estava prestes a desabar.

Então, a meio caminho, algo incrível aconteceu.

“Judith estava realmente passando por dificuldades, e de repente começou a orar em voz alta: ‘O Senhor é o meu pastor; nada me faltará’. E quando ela começou a fazer isso, eu disse: ‘É melhor eu começar a orar também’ “.

Finalmente, eles saíram da torre e pisaram na rua.

“Quando saímos, parecia coisa da série Além da Imaginação. Era um caos total”.

À medida que se afastavam, Paul começou a perceber que, entre os destroços ao redor, estavam os corpos de pessoas que haviam caído ou saltado das torres.

Ele disse a Judith para não olhar para o chão, só para frente, e reunir o último resquício de energia que lhe restava para escapar. Então, quando estavam a pouco mais de um quarteirão de distância, a Torre Norte, da qual haviam acabado de fugir, desabou.

Judith escreveu depois um ensaio chamado Angels Walk Among Us (Anjos Caminham Entre Nós), descrevendo Paul como o homem que salvou sua vida. Mas, como Paul me diria depois, ele logo percebeu que, na verdade, foi Judith quem o salvou.

Recentemente, viajei por Nova York, Pensilvânia e Washington D.C. para produzir um documentário da EWTN News em homenagem ao 25º aniversário do 11 de Setembro. Queria relembrar o que aconteceu naquele dia, mas também fazer uma pergunta mais difícil: Onde estava Deus em meio a tanta maldade?

As histórias que ouvi de padres e religiosos que atuaram naquele dia, e como a fé ajudou os sobreviventes e familiares das vítimas a lidar com a situação, foram uma grande inspiração. No centro de Manhattan, não muito longe de onde ficavam as Torres Gêmeas, conversei com o padre franciscano Brian Jordan, que prestou assistência religiosa por meses no Marco Zero depois dos ataques.

Ele se lembrou de ter visto o melhor e o pior da humanidade lado a lado.

“Vimos a bondade em sua melhor forma. Também vimos o mal em sua pior forma”, ele me disse. “Mas o bem sempre triunfa sobre o mal”.

Ele viu bombeiros, policiais, operários da construção civil e voluntários trabalhando juntos nos escombros. Quando restos mortais eram encontrados, o trabalho era interrompido e orações eram feitas.

Mas uma imagem em particular ficou gravada em sua memória. Dias depois dos ataques, um operário da construção civil se aproximou dele e disse: “Ei, padre, quer ver a casa de Deus?” Ele levou o padre Jordan até os escombros, onde havia duas vigas de aço, uma na vertical e a outra na horizontal. “Meu Deus, tinha o formato de uma cruz”, disse o padre Jordan. “Deus fez isso por um motivo. Agora eu sei por que chamam este lugar de casa de Deus”.

O padre Jordan diz que, para todos no Marco Zero, aquela cruz de aço se tornou um poderoso símbolo de que a fé não havia desaparecido sob os escombros e que Deus estava com eles.

A Sagrada Tranquilidade de Shanksville

Em contraste com o burburinho e o barulho do sul de Manhattan, Shanksville, na Pensilvânia, é um lugar calmo e tranquilo. Enquanto eu contemplava o lugar da queda do voo 93 da United Airlines, observei as árvores, os campos ondulados e a imensidão do céu. Há uma quietude quase sagrada no lugar. É difícil imaginar um avião comercial despencando em direção a esse recanto pacífico da Pensilvânia antes de se chocar contra o solo.

Mas, nos minutos que antecederam o impacto, algo extraordinário aconteceu a bordo da aeronave. Por meio de telefonemas, os passageiros souberam que seu avião era alvo de um ataque terrorista e decidiram reagir. Todd Beamer pediu a uma telefonista que rezasse o Pai Nosso com ele antes de tentar invadir a cabine de comando e deter os sequestradores. E, graças à bravura deles, em vez de o avião atingir a Casa Branca ou o Capitólio, matando centenas, senão milhares de pessoas, ele caiu a 800 km/h, completamente de cabeça para baixo, aqui neste campo.

O padre Joseph McCaffrey, sacerdote católico e capelão do FBI (Bureau Federal de Investigação), chegou ao lugar do acidente na manhã seguinte.

“Quando cheguei, as árvores ainda estavam fumegando. E a primeira coisa que fiz foi rezar e consagrar o solo. Rezei as orações de sepultamento por todos os que aqui morreram”, ele me disse no lugar. E, conforme as famílias enlutadas começaram a chegar, o padre McCaffrey estava lá para recebê-las.

“Minha abordagem era ouvir, e então, com base no que ouvia, oferecia uma palavra de esperança na vida eterna, na compaixão e misericórdia supremas de Deus, e que eles não estão sozinhos, que Deus participa do sofrimento deles”.

De Shanksville, minha jornada me levou de volta a Washington D.C. e ao Pentágono. O Memorial do Pentágono tem um ar mais intimista. Ao lado do enorme quartel-general militar, estão 184 unidades memoriais individuais, uma para cada pessoa morta ali e a bordo do voo 77 da American Airlines.

Cada uma consiste num banco em balanço sobre uma piscina rasa de água corrente, disposta conforme a idade das vítimas.

Os bancos estão apontados na direção em que o avião voou naquela manhã, em 11 de setembro de 2001.

Recém-ordenado

O padre Stephen McGraw era um sacerdote recém-ordenado quando ficou preso no trânsito perto do Pentágono naquela manhã. Ele estava sentado em seu carro quando o avião voou tão baixo sobre sua cabeça que atingiu um poste de luz. Momentos depois, ele viu o avião se chocar contra o Pentágono. Imediatamente, ele correu em direção ao Pentágono.

Sentado comigo num dos bancos comemorativos, ele disse: “Tive a sensação de que Deus me colocou ali. Foi para isso que me inscrevi. Quero administrar os sacramentos. Mas era algo que ia além de tudo o que eu já havia feito. Era como se Deus me tivesse colocado ali como um instrumento, um sacerdote humilde e frágil, à sua disposição para testemunhar sua proximidade e sua presença, para dizer que Deus estava aqui”.

Para aqueles que estavam a bordo do avião ou na área de impacto direto, não havia esperança de sobrevivência, mas outras vítimas correram do prédio para o gramado do Pentágono, muitas com queimaduras horríveis. Elas se deitaram na grama em agonia, e enquanto os paramédicos corriam de pessoa para pessoa, o padre McGraw ajoelhou-se ao lado delas. “Eu dizia a elas: Jesus está com vocês. E repeti isso várias vezes, e mais de uma vez houve uma resposta positiva”.

Ele se lembrou de estar ajoelhado ao lado de um homem gravemente queimado enquanto os médicos tentavam salvá-lo. “Eu disse a ele, com mais convicção, com mais vigor: Eu lhe digo, Jesus está com você agora. E me lembro que ele disse: Sim, eu sei”.

De volta a Nova York, Paul Carris, o funcionário da Autoridade Portuária que escapou da Torre Norte com Judith, me contou que, por anos depois do 11 de Setembro, o trauma daquele dia o afetou profundamente. Mas outra coisa também o incomodava. Judith insistia em retratá-lo como um anjo, como o homem que tinha feito tudo certo. Isso o obrigou a refletir sobre a maneira como vinha vivendo sua própria vida.

“Tive que encarar o fato de que nem sempre vivi minha vida como o católico que as pessoas diziam que eu era. Separei minha fé do mundo secular. Isso causou alguns problemas no meu casamento ao longo dos anos, e assim por diante. E Judith escreveu este artigo que me descrevia como um anjo”.

Paul começou a fazer terapia com um padre e, depois, participou de um retiro espiritual. Isso teve um profundo efeito sobre ele e, com o tempo, sua fé se aprofundou e ele ingressou na formação para o diaconato permanente da arquidiocese de Newark, Nova Jersey. Judith, que morreu em 2021, estava presente quando ele foi ordenado.

“Ela me disse: Você me salvou, e eu respondi: Não, você me salvou. Na verdade, Deus salvou nós dois naquele dia”.

Fonte: ACI Digital

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