Epicentro da chikungunya no Brasil, Mato Grosso do Sul confirmou a 20ª morte pela doença em 2026 nesta terça-feira (26). Com isso, o Estado concentra 71,4% de todos os óbitos registrados no país neste ano, além de acumular 12.851 casos notificados. Dourados, sozinha, já soma 13 mortes.
A vítima mais recente é uma mulher de 82 anos, moradora da área urbana de Dourados. Conforme o COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), ela apresentava comorbidades, como hipertensão arterial e diabetes. Os primeiros sintomas surgiram em 8 de maio. A paciente foi internada no Hospital da Vida, no dia 15, e morreu em 24 de maio.
Sete em cada dez mortes do país ocorreram em MS
Em todo o Brasil, 28 pessoas morreram por chikungunya em 2026. Dessas, 20 ocorreram em Mato Grosso do Sul — o equivalente a sete em cada dez óbitos registrados no país. Os demais casos foram registrados em Goiás (2), São Paulo (2), Rondônia (1), Mato Grosso (1), Bahia (1) e Minas Gerais (1).
Dourados lidera o número de mortes no Estado, com 13 registros. Em seguida, aparecem Bonito e Jardim, com dois óbitos cada município. Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna e Douradina contabilizam uma morte cada um.
Nos últimos dez anos, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes por chikungunya antes de 2026 — sendo 17 em 2025, uma em 2024 e três em 2023 e 2018. Com isso, em menos de cinco meses, 2026 já representa 83,3% de todas as mortes pela doença registradas na última década no Estado.
Dourados concentra quase metade das mortes do país
Considerada o epicentro da doença em Mato Grosso do Sul, Dourados contabiliza 13 mortes confirmadas e 4.306 casos de chikungunya. Sozinho, o município responde por 46,4% das 28 mortes registradas no Brasil neste ano, quase metade do total nacional.
A cidade ainda investiga quatro mortes suspeitas. A mais recente envolve um homem de 71 anos. Os outros casos em investigação são de pacientes de 74, 50 e 84 anos. Conforme o boletim, todos eram moradores da área urbana e não indígenas.
Dos 13 óbitos registrados em Dourados, dez foram de indígenas. Entre as vítimas, estão três bebês — de 48 dias, 1 mês e 3 meses; uma criança de 12 anos; e nove adultos, em sua maioria idosos, com idades entre 29 e 82 anos.
Somente neste ano, o município registrou 8.904 notificações da doença. Desse total, 4.879 casos são considerados prováveis, 4.306 foram confirmados, 573 seguem em investigação e 4.025 foram descartados, conforme boletim epidemiológico divulgado na segunda-feira (25).
Atualmente, 28 pacientes permanecem internados com suspeita ou confirmação de chikungunya. A taxa de positividade dos exames é de 51%, ou seja, mais da metade das pessoas testadas com sintomas tiveram diagnóstico confirmado para a doença.
Epidemia em recuo
Apesar do novo óbito, a prefeitura afirma que a epidemia apresenta sinais de desaceleração. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a curva epidemiológica registrou 240 notificações na 20ª semana do levantamento.
“O número de focos do mosquito nas fiscalizações realizadas pelos agentes de combate às endemias também tem recuado acentuadamente nas últimas semanas, mas a população precisa manter a vigilância e continuar seguindo as medidas preventivas, sobretudo no combate aos pontos com água parada nos quintais e no interior das residências”, alertou o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, coordenador-geral do COE.
O que é a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Fonte: Midiamax

