Não só de tereré vive a excentricidade ou identidade sul-mato-grossense. A culinária de Mato Grosso do Sul é uma verdadeira fusão cultural que mistura tradições indígenas, pantaneiras e gaúchas, além da forte influência de países vizinhos, como Paraguai e Bolívia. Por isso, alguns pratos podem causar surpresa ou estranhamento entre os turistas.
No entanto, para quem busca sabores únicos e experiências gastronômicas diferentes, o Estado oferece iguarias que chamam atenção pela excentricidade e pela riqueza dos ingredientes locais.
Boa parte desses pratos pode ser encontrada em restaurantes tradicionais, principalmente a chipa, a sopa paraguaia e o sobá.
Contudo, até mesmo para alguns nativos, os nomes podem soar curiosos. O Jornal Midiamax separou uma lista dos pratos mais “diferentões” encontrados em Mato Grosso do Sul.
Caldo de piranha
Considerado exótico, o caldo de piranha reúne carne de piranha desfiada, alho, coentro e pimenta. Além do sabor marcante, acredita-se que a receita tenha propriedades afrodisíacas.
Por isso, é muito procurado tanto por turistas quanto por moradores, sendo uma verdadeira iguaria regional. É comum encontrar o prato em restaurantes especializados em peixes de Campo Grande, Bonito e das regiões pantaneiras.

Sarravulho
O sarravulho é um tradicional cozido pantaneiro à base de miúdos e carnes, como fígado, rins, coração, calabresa e bacon. Os ingredientes são picados e temperados com especiarias e pimentão. Típico de Corumbá, o prato é amplamente apreciado em Mato Grosso do Sul.
Por levar uma mistura de diversos miúdos (fígado, rim, coração) e sangue, o prato ganhou esse nome para representar uma “mistura aparente” ou bagunça de ingredientes.

Língua de jacaré
Desenvolvido na cidade de Bonito pelo chef Jean Pierri, o prato à base de língua de jacaré desperta a curiosidade de muitos turistas.
Muitos que o experimentam acreditam, inicialmente, estar consumindo carne suína. A receita é preparada com língua de jacaré de cativeiro e acompanhada por uma farofa de guavira picante.

Vori-vori
O vori-vori é um tradicional prato da culinária paraguaia muito presente em Mato Grosso do Sul e alcançou destaque no ranking internacional do TasteAtlas. A enciclopédia gastronômica classificou a receita entre as melhores do mundo.
Apesar de ter origem no Paraguai, o vori-vori se popularizou no Estado devido à imigração, especialmente em cidades como Ponta Porã, Bela Vista e Campo Grande. O prato consiste em um ensopado com bolinhas de farinha de milho e queijo cozidas em caldo de frango.
“O vori-vori é um exemplo perfeito de como ingredientes simples e locais podem ser elevados a um nível de excelência mundial através da técnica e da tradição”, diz o relatório do guia.

Mojica de pintado
Uma herança indígena que une terra e rio, a mojica de pintado combina postas do peixe com mandioca. O prato é temperado com ervas locais, alho, cebola e coentro.
Além disso, costuma ser servido com arroz e pirão, resultando em uma refeição reconfortante e muito apreciada por moradores e turistas.
Vaca atolada
A vaca atolada combina costela bovina cozida com mandioca até que os ingredientes se desmanchem, formando um caldo espesso e saboroso. Por isso, é um prato bastante apreciado, especialmente nos dias frios.
O nome surgiu na época dos antigos tropeiros. Durante as viagens pelo interior do país, as comitivas enfrentavam longos períodos de chuva, quando o gado e as mulas frequentemente atolavam na lama. Nesses momentos, os peões aproveitavam a pausa para descansar e preparar o prato.

Sobá
O sobá se tornou o prato símbolo de Campo Grande por ter sido adaptado pelos imigrantes da ilha de Okinawa, no Japão, que se estabeleceram na cidade entre as décadas de 1940 e 1950. A forte presença dessa comunidade transformou a receita em uma herança cultural única da região.
Trata-se de um prato quente de macarrão servido em uma tigela com caldo, carne e tiras de omelete. Embora tenha origem japonesa, a versão sul-mato-grossense foi modificada ao longo dos anos e se tornou única no mundo.

Fonte: Midiamax

