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Leão XIV denuncia manipulações que ameaçam a dignidade humana

Na audiência geral de hoje (9), o papa Leão XIV exortou à superação das “falsificações e manipulações” que impedem a plena realização da dignidade humana.

“Essa dignidade é confiada à responsabilidade de cada um: ao mesmo tempo, ela exige também solidariedade e cuidado recíproco, superando as numerosas falsificações e manipulações que até hoje deturpam a sua noção e impedem a sua realização”, disse o papa ao prosseguir o ciclo de catequese dedicado à constituição Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II (1962-1965), cujo primeiro capítulo fala sobre a dignidade da pessoa humana.

O documento diz que a dignidade humana é o fundamento e a condição daqueles “valores hoje mais apreciados”, embora alerte para a necessidade de não perder a relação com “sua fonte divina, a fim de evitar possíveis distorções devido à corrupção do coração humano”.

Do átrio da praça de São Pedro, no Vaticano, o papa disse que o caminho para a plena realização da dignidade humana “deve confrontar as contradições, antigas e novas, que impedem a sua plena atuação”.

Leão XIV disse que a Igreja dá uma clara contribuição nessa área, reafirmando que a dignidade humana brota do próprio ser da pessoa, e citou, nesse contexto, sua recente encíclica Magnifica humanitas.

Assim, ele disse que a dignidade infinita do ser humano está enraizada “na sua identidade de criatura feita ‘à imagem de Deus’, capaz de conhecer e amar o seu Criador»” e que, assim, a pessoa “significa sempre relação, comunhão, participação no que diz respeito a Deus e aos outros”.

O papa disse também: “Isso exclui conclusões autorreferenciais. Ser pessoa significa sentir-se a si próprio como dom a partilhar, crescendo e amadurecendo no acolhimento, na reciprocidade e no serviço”.

Leão XIV apresentou as decisões contrárias à dignidade humana, adotadas ao longo da história, como uma das causas da “íntima divisão do homem”.

“Toda a vida humana, quer singular quer coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas”, disse ele, citando Gaudium et spes.

O papa também pediu a superação das “visões dualistas” que separam o corpo da alma, dizendo que “a dignidade humana diz respeito à totalidade da pessoa”.

O corpo não é um “objeto”

“A redução do corpo a ‘objeto’, do qual dispor arbitrariamente, é sempre negação da dignidade da pessoa”, disse Leão XIV.

Os seres humanos “não devem […] desprezar a vida corporal do homem”, e que é necessário “considerar o seu corpo como bom e digno de respeito, pois foi criado por Deus e há de ressuscitar no último dia”, tendo cuidado para que não “se escravize às más inclinações do próprio coração” (GS, 14), pois todos são feridos pelo pecado.

Como o papa disse, só em Cristo “encontra verdadeira luz o mistério do homem, d’Ele recebemos luz sobre o enigma da dor e da morte, e com Ele caminhamos ao encontro da ressurreição”.

“Comprometamo-nos a promovê-la e a defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho!”, concluiu.

Fonte: ACI Digital

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