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CNBB cobra dos eleitos compromisso com o bem comum e a dignidade humana

“Que os eleitos e eleitas encontrem sabedoria, coragem e discernimento para colocar o interesse público acima das conveniências particulares e para exercer seus mandatos com espírito de serviço”, disse a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) hoje (26), em uma “Mensagem aos eleitos e eleitas nas Eleições de 2026”.

A mensagem foi publicada um dia depois do fim das eleições, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República para seu quarto mandato. Com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula obteve 51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863 votos, e venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Nas eleições, que tiveram o primeiro turno em 4 de outubro, também foram eleitos governadores, deputados federais e estaduais.

Ao cumprimentar os candidatos escolhidos pelos brasileiros, a presidência da CNBB destacou a responsabilidade dos eleitos diante de toda a população, inclusive daqueles que fizeram escolhas diferentes nas urnas.

“A eleição, contudo, não constitui apenas uma conquista política. Representa, sobretudo, a assunção de uma responsabilidade diante de todo o povo brasileiro, inclusive daqueles que fizeram escolhas diferentes nas urnas”, disse a CNBB.

A conferência ressaltou que “o exercício da autoridade pública encontra sua razão de ser no serviço ao bem comum” e, por isso, espera “que os mandatos sejam conduzidos com espírito democrático, integridade, transparência, diálogo, respeito às instituições e compromisso com a dignidade de cada pessoa humana”.

Os bispos também recordaram aos eleitos que “a política, quando orientada pela justiça e pela caridade, constitui uma elevada expressão de serviço à sociedade”, e destacou que “seu horizonte não pode restringir-se aos interesses de grupos, partidos ou setores particulares, mas deve alcançar especialmente aqueles que mais necessitam da presença e da proteção do Estado.

Desafios do Brasil

Ainda segundo a conferência, “o Brasil continua diante de desafios que exigem responsabilidade compartilhada”, como: “a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural”.

Para a CNBB, “essas responsabilidades exigem políticas públicas consistentes, diálogo entre os poderes e compromisso com a correta utilização dos recursos destinados à população”.

Rejeição à violência e à desinformação

A presidência da CNBB também manifestou preocupação com “a sociedade” brasileira que foi “marcada por profundas diferenças e por tensões que se intensificaram durante o período eleitoral” e pediu que “os representantes escolhidos pelo povo contribuam para fortalecer a convivência democrática, rejeitando a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação”.

Os bispos enfatizaram que “a pluralidade de ideias, própria da democracia, não deve impedir a busca de convergências em torno daquilo que é essencial para a vida e a dignidade do povo brasileiro”. Eles reafirmaram “sua disposição de continuar contribuindo para o diálogo e a construção de caminhos que promovam a justiça, a paz, a fraternidade e a solidariedade”.

“Nossa contribuição nasce do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, especialmente com os pobres, os pequenos e os que sofrem”, disse a CNBB. A entidade ressaltou que esse compromisso “não se confunde com adesão partidária, mas expressa a responsabilidade da Igreja de colaborar para uma sociedade na qual ninguém seja privado das condições necessárias a uma vida digna”.

Ao final, a conferência confiou “à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, os destinos de nossa nação e todos aqueles que receberam do povo a responsabilidade de governar e legislar”.

Fonte: ACI Digital

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