A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), pela graduação do curso de turismo, encerra o semestre, com um feito histórico à Instituição – a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), da primeira acadêmica com deficiência visual a se tornar bacharel e receber o título de turismóloga.
O trabalho de Conclusão de Curso teve como tema ‘Parque das Nações Indígenas: a inclusão da pessoa com deficiência visual no turismo de Campo Grande/MS’, e nasceu do desejo de provocar uma reflexão profunda sobre a forma como os espaços turísticos de Campo Grande e do Brasil, ainda excluem pessoas com deficiência visual, realizado pela acadêmica Lilian Garcia.
Segundo ela, o objetivo da pesquisa foi evidenciar a falta de inclusão real das pessoas com deficiência visual nos espaços de lazer e turismo. Mais do que apontar problemas, busca-se abrir caminhos e contribuir com propostas que considerem as vivências e necessidades, do deficiente visual. “Afinal, falar sobre acessibilidade não é só garantir rampas ou placas em braile: é garantir pertencimento, participação e respeito”, continua a agora, turismóloga.
A UEMS tem o setor de Atendimento Educacional Especializado (AEE), ligado a Pró-reitoria de Ações Afirmativas, Equidade e Permanência Estudantil (PROAFE), pela Divisão e Inclusão Educacional (DINE), que propõe uma reorganização didático-pedagógica para acompanhar acadêmicos da Educação Especial. A proposta central do AEE é desenvolver e dar autonomia aos acadêmicos, nos estudos da graduação e pós-graduação.
O Prof. Dr. Mauricio Macedo Vieira, responsável pelo setor, em Campo Grande, sublinha que, o AEE hoje atende 24 alunos, nos mais variados cursos de graduação e pós-graduação, sendo 8 para cada um dos professores atribuídos para a função. Dentre as inúmeras atribuições, destacam-se: o acompanhamento da agenda dos estudantes quanto ao desenvolvimento das atividades, cumprimento dos prazos, as adaptações curriculares e de materiais didáticos quando necessários.
De acordo com Maurício, os serviços oferecidos e o trabalho em equipe, torna o estudo mais producente o conhecimento mais abrangente, e isso merece destaque; “a demanda pela procura; espaço adequado de elaboração e preparação dos materiais e sala de atendimento específico para o desenvolvimento das atividades; corpo docente qualificado para o trabalho”.
A Profª. Drª. Marta Melo que foi orientadora de Lilian, afirma que, a ideia partiu de uma visita técnica ao Parque, organizado como parte de uma ação prática, de uma das disciplinas do curso. Foi nesse contexto que a aluna Lilian Garcia percebeu o Parque das Nações Indígenas como um verdadeiro laboratório de pesquisa, e com potencial de proporcionar ações de inclusão para pessoas com deficiência visual. Marta Melo, exalta o histórico de dedicação e comprometimento no processo de aprendizagem de Lilian Garcia, no ambiente universitário. “Essa garota, sempre destacou a importância da inclusão, sobretudo, a transposição das barreiras atitudinais e de capacitismo”.
Todos celebram as conquistas e também pontuam novos desafios
Quanto aos desafios: precisamos ainda de maior investimento aos recursos didáticos-pedagógicos; ampliação dos debates e apresentação dos trabalhos desenvolvidos nos mais diversos colegiados dos cursos. Maior empenho do corpo docente da instituição para se apropriarem da perspectiva inclusiva adotada pela UEMS. Considerar cada acadêmico(a) quanto às suas especificidades de produção e de aprendizagem, pontua o responsável pelo setor.
Já a professora Marta Mello diz que, a proposta da Lilian não foi apenas para cumprir um requisito acadêmico, mas é um passo concreto em direção a um turismo verdadeiramente inclusivo. A nova bacharel conclui dizendo que; “o turismo precisa deixar de ser acessível e bonito nos papéis/teoria para se transformar em um turismo inclusivo’. Essa é a minha luta, e agora também é a minha contribuição para a sociedade, estou com a sensação do dever cumprido, porém agora espero que depois de tanta entrega, portas se abram para mim para que, eu possa colocar em prática, tudo que aprendi”. E reafirma: “NADA SOBRENÓS, SEM NÓS!”
Dados do IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo de 2022 revela que, o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, representando 7,3% da população com 2 anos ou mais. Essa população abrange diversos tipos de deficiência, como visual, auditiva, motora e intelectual/mental, com diferentes graus de severidade.
Em Mato Grosso do Sul, o percentual é de 7,3% da população com 2 anos ou mais. Dentre os tipos de deficiência, a visual é a mais comum, no Estado, afetando 16,72% dos sul-mato-grossenses.

