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Em ranking nacional, Capital é a 5ª com menor índice de desperdício de água

Em todo o país, em 2016, índice foi de 38%. Estudo do Instituto Trata Brasil aponta boa colocação para índice de perda de água durante distribuição e ligações na rede

11/06/2018 08:45

Água indo “pelo ralo” na Rua Santana, em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)

Estudo do Instituto Trata Brasil mostra que Campo Grande tem o 5º melhor índice de perda de água durante a distribuição, com 19,42%. Em todo o país, em 2016, esse índice foi de 38%, alcançando mais de R$ 10 bilhões de perda financeira. Os cálculos foram realizados com base em dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento).

Ainda de acordo com o instituto, Campo Grande tem o 5º melhor índice de perda de água por ligação, com, 124,17%. Mato Grosso do Sul ocupa a 17º posição em perda de água por distribuição, com 43% e o 19º na perda por ligação, com 441%.

Responsável pelo controle de perdas da concessionária Águas Guariroba, Francis Faustino explica que a empresa, apesar do índice de 19%, ainda precisa avançar. Segundo explicou, as perdas reais ocorrem através de vazamentos.

“É perda de água através da lavagem de reservatórios, de descarga de rede, quando a gente vai fazer manutenção. As que a gente tem conhecimento que são as lavagens de reservatório e descarga de rede”, comentou.

Há, ainda, as perdas aparentes, quando há submedição dos hidrômetros por erro de leitura ou “calibração” dos aparelhos. “Então é uma água que eu conheço, que está passando num medidor de um cliente meu, mas eu estou deixando de medir, é uma perda conhecida, é uma perda aparente. Aí tem a parte da fiscalização, que são as irregularidades, é uma água que a gente vai lá e faz uma vistoria de um cliente. Eu identifico que ele tem uma irregularidade, é uma água que eu sei que aquele cliente estava consumindo e não estava faturando”, explica.

Um dos principais problemas no desperdício e nas mediões são as ligações clandestinas. Francis explicou que as áreas com ligações clandestinas crescem e representam um desafio para a empresa e para a Prefeitura.

Para alcançar o índice de 19%, menor do que a maioria das cidades, que ultrapassam os 30%, a especialista explica que concessionária investiu na setorização da distribuição de água, ou seja, dividiu a rede de distribuição para melhor contabilizar o volume de água.

“O vazamento, a gente tem muito pouco vazamento de rede, hoje campo grande está em torno de 4 mil e 900 km de rede de água e a gente tem em torno de 150 vazamentos de rede por mês. E o que a gente fez pra chegar nesse número, a concessionária investiu equipando a rede, a gente setorizou. Então ao invés de distribuir a água para setores muito grandes a gente começou a restringir o fornecimento em setores pequenos”, esclareceu.

Além de mais setores, a empresa investiu em válvulas redutoras de pressão, para que a força da água represente menos risco de rompimento nas tubulações. Hoje, segundo Francis, são 69 válvulas e 170 pontos de pressão monitorados em tempo real.

No Brasil, o estudo mostra que o índice de perdas na distribuição de água no país em 2016 é o maior em 5 anos. Entre 2012 e 2015, o percentual variou pouco, de 36,7% para 37%, apontando uma estabilidade. Em 2016, porém, a tendência foi de alta, chegando a 38,1%.