Dor de garganta, mal-estar, coriza e até desconforto estomacal depois dos dias de folia. Nas redes sociais, os sintomas que surgiram no pós-Carnaval ganharam o apelido de “gripe vampirinha”, em referência ao hit de Ivete Sangalo. Apesar dos memes, autoridades de saúde alertam para um aumento de síndromes respiratórias no país.
O novo boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgado na última quinta-feira (26), aponta para um crescimento nos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no Brasil. A análise, referente à Semana Epidemiológica 7 (15 a 21 de fevereiro), indica que o avanço tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus e pelo VSR (vírus sincicial respiratório), além do aumento de casos de influenza A em algumas regiões.
Embora os dados não indiquem aumento de casos em Mato Grosso do Sul, três estados — Goiás, Sergipe e Rondônia — estão em alerta, com tendência de crescimento nas últimas semanas. Em Rondônia, também há aumento de SRAG por Influenza A, especialmente entre jovens e adultos. Capitais como Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO) apresentam cenário semelhante.
Cenário em MS

Em Mato Grosso do Sul, foram confirmados 494 casos de SRAG e 51 óbitos em 2026, cenário que indica estabilidade, mesmo diante do alerta nacional. Nas semanas epidemiológicas 6 e 7, que englobam o período de Carnaval, houve o registro de 65 e 49 casos, respectivamente. Na semana anterior à folia, o total havia chegado a 73 notificações.
A análise por semana epidemiológica mostra oscilação nos registros, com pico na semana 1, quando foram contabilizados 99 casos. Nas semanas seguintes, os números variaram entre 49 e 77 notificações.
Entre os óbitos:
- 15 tiveram agente identificado;
- 35 foram registrados como SRAG não especificada;
- 1 permanece em investigação.
Crianças são as mais impactadas
Os casos de SRAG em Mato Grosso do Sul se concentram principalmente entre crianças e idosos. A maior proporção está na faixa de 1 a 9 anos (22,67%); em seguida, aparecem os menores de 1 ano (19,43%). Entre idosos com 80 anos ou mais, o percentual é de 12,35%.
Já em relação aos óbitos, a maior incidência está entre pessoas com 80 anos ou mais (25,5%) e na faixa de 50 a 59 anos (25,5%), seguidas por pessoas de 60 a 69 anos (19,6%).
Rinovírus lidera número de casos
Entre os vírus detectados nos casos com identificação laboratorial em Mato Grosso do Sul, o rinovírus lidera, com 52 registros. Em seguida, aparecem:
- Influenza A (H3N2): 36 casos;
- SARS-CoV-2: 24 casos;
- Metapneumovírus: 14 casos;
- Adenovírus: 8 casos;
- Vírus sincicial respiratório (VSR): 7 casos;
- Outros agentes: 3;
- Influenza A não subtipada: 2;
- Influenza B: 2.
Conforme o boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), que traz dados consolidados até 21 de fevereiro, dos 494 casos registrados, 143 tiveram agente etiológico identificado; 237 estão classificados como SRAG não especificada, enquanto 114 aguardam classificação final.
Campo Grande lidera casos
Em Campo Grande, no período pós-Carnaval, houve aumento nos atendimentos por síndromes respiratórias. Entre as semanas epidemiológicas 6 e 7, as internações por SRAG passaram de 28 para 37 casos.
Conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), a maioria dos registros é classificada como moderada a grave. Nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), o crescimento nos atendimentos foi de 44%, totalizando 2.234 casos. Os principais vírus identificados foram rinovírus, influenza A e coronavírus.
A Sesau destaca que a elevação está dentro do esperado para o período, devido à proximidade da sazonalidade das doenças respiratórias. Além disso, a Secretaria reforça a importância de manter a vacinação contra covid-19 e influenza atualizada.
Esse aumento de casos no período pós-Carnaval, segundo a Fiocruz, está relacionado às aglomerações, às viagens e ao contato próximo entre pessoas, fatores que favorecem a circulação de vírus respiratórios. Por isso, a orientação é manter a vacinação contra a gripe em dia, reforçar a higiene das mãos e buscar atendimento médico em caso de sintomas mais intensos ou persistentes.
Fonte: Midiamax

