Quarta, 06 de julho de 2022

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‘Submersão’ está entre as estreias da semana no cinema

‘Construindo Pontes’ e ‘De Encontro com a Vida’ também são boas opções de novos filmes que começam a ser exibidos em todo o País

23/04/2018 09:04

James (James McAvoy) é um espião britânico, disfarçado de especialista em descoberta de água potável, porém mais preocupado em descobrir a origem de atentados terroristas do que em cavar novos poços no deserto

Três filmes começam a estrear nos cinemas em todo o país neste final de semana – ‘Submersão’, ‘Construindo Pontes’ e ‘De encontro com a vida’. Como agora é moda pichar Wim Wenders, seu novo filme, Submersão, tem sido tratado aos pontapés pela crítica. Se é verdade que Submersão é inferior às melhores obras de Wenders, como Paris Texas e Asas do Desejo, nem por isso é desprezível, ou mesmo descartável. Pelo contrário, em meio a uma produção mundial para lá de bisonha, Submersão fica acima da linha d’água, por assim dizer.

O que indica o título? Bem, dois casos-limite, que se unem em um só por força do destino. Danielle (Alicia Vikander) é uma cientista náutica, que decide enfrentar uma radical descida em submarino em busca do mistério da vida, escondido nas profundezas do oceano. James (James McAvoy) é um espião britânico, disfarçado de especialista em descoberta de água potável, porém mais preocupado em descobrir a origem de atentados terroristas do que em cavar novos poços no deserto. Os dois se encontram num hotel africano, dão início a um caso, apaixonam-se, mas devem seguir os destinos impostos por seus deveres profissionais e ambições pessoais. O filme é bonito em determinadas sequências e apresenta inconsistências em outras.

As trajetórias do casal desfeito, Danielle e James, são vistas em montagem paralela, o que nem sempre produz o efeito desejado. Mas a dupla funciona bem, de maneira isolada, – e tanto Alicia Vikander quanto James McAvoy são críveis e mostram química quando juntos na tela. A ideia subjacente (o filme é adaptado de um romance de J.M. Ledgard) é a de que a profundidade tanto atrai como é fonte de perigo. Seja no campo científico, seja no da política mais radical, o perigo e a morte espreitam o ser humano. Há uma força poderosa, e que se opõe à morte: o amor. Eros e Tânatos, a eterna batalha, hoje francamente inclinada para o segundo oponente.

Construindo Pontes

Importante documentário de Heloísa Passos sobre ela e o pai, relacionamento transformado em metáfora do País. Álvaro foi engenheiro civil que trabalhou em obras durante o governo militar e mantém pensamento conservador. A filha é cineasta e dona de convictas ideias progressistas. Uma viagem vai aproximá-los ou afastá-los de vez? Nada mais perigoso hoje em dia do que reunir no mesmo carro um senhor que tem o juiz Sérgio Moro como ídolo maior e uma mulher que julga a Lava Jato mero pretexto para tirar Lula da disputa presidencial.

A desavença entre os dois é histórica. Para o pai, apenas durante o regime militar (1964-1985) houve um projeto de País. A filha se exaspera, denuncia os crimes da ditadura e seus desvios, sob o olhar impassível do pai, que minimiza o impacto violento do período no Brasil. Usando material de arquivo, filmagens domésticas e outras obtidas no curso da estrada, Construindo Pontes torna-se interessante reflexão sobre um país rachado, com pessoas que não mais se suportam e condenadas a viver juntas. De Encontro com a Vida

Marc Rothemund adquiriu projeção quando Uma Mulher Contra Hitler, premiado no Festival de Berlim, foi indicado para o Oscar. Para quem cravou nele a etiqueta de cineasta político, Rothemund reserva uma surpresa, e boa. É o diretor de De Encontro com a Vida, uma comédia romântica não destituída de charme. Mostra garoto de ascendência estrangeira cujo sonho sempre foi trabalhar num hotel de luxo. Ele se habilita, e ganha sua chance, mas tem problemas de visão que se agravam e poderão pôr tudo a perder, principalmente quando se apaixona. Rothemund tem um olhar sensível para a questão dos imigrantes.

Algumas das melhores partes cômicas do filme estão ligadas ao personagem do cozinheiro afegão. E se é verdade que o filme não vai além de uma superfície elegante, a dupla principal, formada por Kostja Ullmann e Anna Maria Mühe, é cativante. Quando vir, você estará torcendo para que tudo dê certo. Sem risco de spoiler, é o que Hollywood chama de ‘feel good movie’, para que o público se sinta bem, terminada a sessão.